Há muito tempo, quando nossos antepassados ainda
viviam nas cavernas, um pequeno ruído poderia significar um grande perigo. Não
estar atento, alerta, em estado máximo de atenção, fazia a diferença entre vida
ou morte. O estado de alerta não era por acaso, pois o ruído também
representava uma grande oportunidade de alimento e sobrevivência, a caça.
Na vida moderna os ruídos continuam sendo muito
importantes. A buzina de um carro, o barulho de uma freada brusca, um grito de
socorro, um alarme que soa, e outros. Mas não são apenas os ruídos do
ambiente, há outros ruídos de igual modo também muito importantes, são os chamados,
ruídos da comunicação.
O termo comunicar deriva da palavra latina "communicare",
e significa tornar comum, partilhar, uma ideia, um pensamento ou uma
informação.
Para que haja comunicação entre pessoas, faz-se necessário
um emissor, aquele que fala ou emite um sinal, e um receptor, aquele que ouve e
decodifica (interpreta), o sinal emitido. Este sinal pode ser um som, um gesto,
um código escrito, inclusive odores podem servir como sinais na comunicação. Ou
seja, a comunicação pode ser verbal, ou não verbal.
Os ruídos da comunicação, ao contrário daqueles
percebidos no ambiente, na verdade são grandes deflagradores de conflitos na
vida hodierna. E eles ocorrem em nossa mente, em um âmbito restrito, onde só
nós temos acesso. Quando nós, de forma pretensa, tentamos interpretar e
traduzir a ideia, o posicionamento, o pensamento do outro, segundo nosso mapa
interior, quando nós apressada e precipitadamente, atiramo-nos a tecer um
julgamento nefasto e pueril sem que antes tenhamos nos esmerado em compreender
e decodificar a mensagem emitida, o conflito surge.
As causas geradoras dos ruídos são diversas. A
pressa, o próprio barulho ambiental, problemas auditivos, afasia (perturbação neurológica
da fala), e até a decodificação errônea, quando eu, utilizando meu mapa
interior, deixo de analisar o ponto de vista do outro na tentativa de impor, ao
invés de expor minhas ideias.
Quando o emissor fala “João”, e o receptor
decodifica “limão”, dizemos que ouve então um ruído da comunicação. Mas há ruídos
mais profundos, quando nós ousamos interpretar o que o outro disse, sem que
tenhamos nos certificado da mensagem real emitida, lançando mão de algumas expressões
tais como: “ela quis dizer”, “foi isso que ela pensou”, “não disse com
palavras, mas falou com o gesto”, “eu li exatamente o que ela quis dizer”, “nem
precisou falar, eu entendi perfeitamente”, “ela disse que sim, mas estava
mentindo”, o conflito gerado pode ser gigantesco.
Uma vez gerado o conflito, o que fazer?
A base do
conflito pessoal é a emoção. Todo conflito gerado envolve também uma emoção, ou ainda
varias emoções. A raiva, o medo, tristeza, nojo, são algumas emoções negativas
envolvidas nos conflitos.
É no
cérebro que as emoções são disparadas, e nosso senso de autopreservação nos
coloca em estado de alerta. Ao pressentirmos a “ameaça” do outro, prontamente
nos colocamos em posição de combate e enfrentamento. Os artifícios usados em
busca de neutralizar a ameaça percebida, são muitos; gritos, berros, choro, agressão
física, agressão verbal, luta e fuga também, entre outros.
Saber
administrar os conflitos e as emoções é um passo importante, uma vez que nem
sempre conseguimos evitá-los. Mas sem nos darmos conta das causas, o que gerou
o conflito, ele tende a se perpetuar e, ainda mais, é potencializado, o que irá
gerar ressentimento, provocando assim uma seria de perturbações tanto na parte física
quanto mental.
Dificilmente
conseguimos administrar nossos conflitos sem ajuda externa. Contar com alguém especializado,
ajuda bastante. Um terapeuta, um psicólogo, um filosofo clinico, um amigo, e quem sabe, a
depender da gravidade, um psiquiatra, pois este irá lançar mãos de fármacos que
irão nos devolver o equilíbrio perdido.
Há, no
entanto, formas cooperativas de lidar com os conflitos pessoais e
as emoções, o perdão é uma
dessas formas, condição "sine qua non", ou seja, sem a qual,
dificilmente teremos sucesso em nossa empreitada, mas fica para a
próxima postagem.
Boa
Sorte!
Prof. Waldez Pantoja

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