sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Comunicação & Conflito

Pequenos ruídos, grandes conflitos.

Há muito tempo, quando nossos antepassados ainda viviam nas cavernas, um pequeno ruído poderia significar um grande perigo. Não estar atento, alerta, em estado máximo de atenção, fazia a diferença entre vida ou morte. O estado de alerta não era por acaso, pois o ruído também representava uma grande oportunidade de alimento e sobrevivência, a caça.

Na vida moderna os ruídos continuam sendo muito importantes. A buzina de um carro, o barulho de uma freada brusca, um grito de socorro, um alarme que soa, e outros. Mas não são apenas os ruídos do ambiente, há outros ruídos de igual modo também muito importantes, são os chamados, ruídos da comunicação.

O termo comunicar deriva da palavra latina "communicare", e significa tornar comum, partilhar, uma ideia, um pensamento ou uma informação.   

Para que haja comunicação entre pessoas, faz-se necessário um emissor, aquele que fala ou emite um sinal, e um receptor, aquele que ouve e decodifica (interpreta), o sinal emitido. Este sinal pode ser um som, um gesto, um código escrito, inclusive odores podem servir como sinais na comunicação. Ou seja, a comunicação pode ser verbal, ou não verbal.

Os ruídos da comunicação, ao contrário daqueles percebidos no ambiente, na verdade são grandes deflagradores de conflitos na vida hodierna. E eles ocorrem em nossa mente, em um âmbito restrito, onde só nós temos acesso. Quando nós, de forma pretensa, tentamos interpretar e traduzir a ideia, o posicionamento, o pensamento do outro, segundo nosso mapa interior, quando nós apressada e precipitadamente, atiramo-nos a tecer um julgamento nefasto e pueril sem que antes tenhamos nos esmerado em compreender e decodificar a mensagem emitida, o conflito surge.

As causas geradoras dos ruídos são diversas. A pressa, o próprio barulho ambiental, problemas auditivos, afasia (perturbação neurológica da fala), e até a decodificação errônea, quando eu, utilizando meu mapa interior, deixo de analisar o ponto de vista do outro na tentativa de impor, ao invés de expor minhas ideias.

Quando o emissor fala “João”, e o receptor decodifica “limão”, dizemos que ouve então um ruído da comunicação. Mas há ruídos mais profundos, quando nós ousamos interpretar o que o outro disse, sem que tenhamos nos certificado da mensagem real emitida, lançando mão de algumas expressões tais como: “ela quis dizer”, “foi isso que ela pensou”, “não disse com palavras, mas falou com o gesto”, “eu li exatamente o que ela quis dizer”, “nem precisou falar, eu entendi perfeitamente”, “ela disse que sim, mas estava mentindo”, o conflito gerado pode ser gigantesco.  

Uma vez gerado o conflito, o que fazer?
A base do conflito pessoal é a emoção. Todo conflito gerado envolve também uma emoção, ou ainda varias emoções. A raiva, o medo, tristeza, nojo, são algumas emoções negativas envolvidas nos conflitos.   

É no cérebro que as emoções são disparadas, e nosso senso de autopreservação nos coloca em estado de alerta. Ao pressentirmos a “ameaça” do outro, prontamente nos colocamos em posição de combate e enfrentamento. Os artifícios usados em busca de neutralizar a ameaça percebida, são muitos; gritos, berros, choro, agressão física, agressão verbal, luta e fuga também, entre outros.

Saber administrar os conflitos e as emoções é um passo importante, uma vez que nem sempre conseguimos evitá-los. Mas sem nos darmos conta das causas, o que gerou o conflito, ele tende a se perpetuar e, ainda mais, é potencializado, o que irá gerar ressentimento, provocando assim uma seria de perturbações tanto na parte física quanto mental.

Dificilmente conseguimos administrar nossos conflitos sem ajuda externa. Contar com alguém especializado, ajuda bastante. Um terapeuta, um psicólogo, um filosofo clinico, um amigo, e quem sabe, a depender da gravidade, um psiquiatra, pois este irá lançar mãos de fármacos que irão nos devolver o equilíbrio perdido. 

Há, no entanto, formas cooperativas de lidar com os conflitos pessoais e as emoções, o perdão é uma dessas formas, condição "sine qua non", ou seja, sem a qual, dificilmente teremos sucesso em nossa empreitada, mas fica para a próxima postagem.

Boa Sorte!
Prof. Waldez Pantoja


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