sábado, 19 de janeiro de 2019

A PRÁTICA DELIBERADA NA PILOTAGEM




Só fazemos melhor aquilo que repetidamente insistimos em melhorar. A busca da excelência não deve ser um objetivo, e sim um hábito. (Aristóteles, 384 a.c.).

Por que devemos praticar algo que já fazemos há muitos anos? Há pilotos e pilotos. Motoristas e motoristas, profissionais e profissionais. A diferença está no grau de excelência e maestria com que cada um dese1mpenha a sua função.

Muitas tarefas na vida só serão possíveis após muita prática. A dedicação e o esforço ano após ano podem levar a excelência. Mas, não é qualquer tipo de prática ou esforço que leva a perfeição. Em alguns casos, apenas fadiga se tem como resultado do tanto esforço.

Pilotar com maestria exige treino, condicionamento, prática, conhecimento sobre si mesmo e sobre a maquina a ser dominada.

Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você conhece a si mesmo, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas. (Sun Tzu).

Assim como ler não significa estudar, pilotar uma moto não significa praticar pilotagem. A prática que leva a perfeição, a excelência e a maestria, é a Prática Deliberada. Uma prática consciente e sistematizada.

Segundo ERICSSON (1993), a Prática Deliberada é um conjunto de atividades e estratégias de estudo, cuidadosamente planejadas, que têm como objetivo ajudar o indivíduo a superar suas fragilidades e melhorar seu desempenho; a realização de tais atividades requer esforço, não sendo, portanto, inerentemente prazerosa.

A base da prática deliberada é a repetição objetivando alcançar níveis antes não alcançados. Há sempre algo a ser melhorado. Alguns têm dificuldades com as curvas, outros com a frenagem, manobras com garupa. Quem sabe ainda alguma insegurança nas ultrapassagens em estrada de terra. Cada um deve saber exatamente qual a sua maior deficiência.

A estrada apresenta muitos desafios. Há ainda os perigos devido aos efeitos da acomodação na pilotagem durante longas viagens. Se o estimulo é constante, o cérebro termina passando por um fase de acomodação, e, tais estímulos, deixam de ser percebidos conscientemente. Risco a vista! Em especial, se não houver treino e condicionamento para uma reação automática.

Tudo começa com um plano de ação. Determina-se onde está e aonde se quer chegar. Um princípio é quantificar e datar as metas e os objetivos.

Algumas dicas:

• Um instrutor habilitado irá ajudar bastante no processo de orientação.
• Foco nas etapas. Faz-se necessário um comparativo. Onde estava antes e onde estou agora?
• A relação entre esforço e recompensa nem sempre é imediata. Exige-se tempo.
• Desafios muitos fáceis são desestimulantes, mas muito difíceis, pode levar a desistência.
• Na prática deliberada existe sempre um desconforto devido ao conflito com a zona de conforto.
• Pontos fracos devem ser listados, para aí sim, começar a usar a técnica e transformar ponto fraco em ponto forte.
• Eleve sempre o grau de dificuldade assim que uma meta for alcançada.
• Comemore as conquistas.

Após algum tempo de Prática Deliberada, esses processos serão internalizados e automatizados, desta forma, o cérebro "abre espaço" para novas habilidades a serem conquistadas.

By Prof. Waldez Pantoja

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Comunicação & Conflito

Pequenos ruídos, grandes conflitos.

Há muito tempo, quando nossos antepassados ainda viviam nas cavernas, um pequeno ruído poderia significar um grande perigo. Não estar atento, alerta, em estado máximo de atenção, fazia a diferença entre vida ou morte. O estado de alerta não era por acaso, pois o ruído também representava uma grande oportunidade de alimento e sobrevivência, a caça.

Na vida moderna os ruídos continuam sendo muito importantes. A buzina de um carro, o barulho de uma freada brusca, um grito de socorro, um alarme que soa, e outros. Mas não são apenas os ruídos do ambiente, há outros ruídos de igual modo também muito importantes, são os chamados, ruídos da comunicação.

O termo comunicar deriva da palavra latina "communicare", e significa tornar comum, partilhar, uma ideia, um pensamento ou uma informação.   

Para que haja comunicação entre pessoas, faz-se necessário um emissor, aquele que fala ou emite um sinal, e um receptor, aquele que ouve e decodifica (interpreta), o sinal emitido. Este sinal pode ser um som, um gesto, um código escrito, inclusive odores podem servir como sinais na comunicação. Ou seja, a comunicação pode ser verbal, ou não verbal.

Os ruídos da comunicação, ao contrário daqueles percebidos no ambiente, na verdade são grandes deflagradores de conflitos na vida hodierna. E eles ocorrem em nossa mente, em um âmbito restrito, onde só nós temos acesso. Quando nós, de forma pretensa, tentamos interpretar e traduzir a ideia, o posicionamento, o pensamento do outro, segundo nosso mapa interior, quando nós apressada e precipitadamente, atiramo-nos a tecer um julgamento nefasto e pueril sem que antes tenhamos nos esmerado em compreender e decodificar a mensagem emitida, o conflito surge.

As causas geradoras dos ruídos são diversas. A pressa, o próprio barulho ambiental, problemas auditivos, afasia (perturbação neurológica da fala), e até a decodificação errônea, quando eu, utilizando meu mapa interior, deixo de analisar o ponto de vista do outro na tentativa de impor, ao invés de expor minhas ideias.

Quando o emissor fala “João”, e o receptor decodifica “limão”, dizemos que ouve então um ruído da comunicação. Mas há ruídos mais profundos, quando nós ousamos interpretar o que o outro disse, sem que tenhamos nos certificado da mensagem real emitida, lançando mão de algumas expressões tais como: “ela quis dizer”, “foi isso que ela pensou”, “não disse com palavras, mas falou com o gesto”, “eu li exatamente o que ela quis dizer”, “nem precisou falar, eu entendi perfeitamente”, “ela disse que sim, mas estava mentindo”, o conflito gerado pode ser gigantesco.  

Uma vez gerado o conflito, o que fazer?
A base do conflito pessoal é a emoção. Todo conflito gerado envolve também uma emoção, ou ainda varias emoções. A raiva, o medo, tristeza, nojo, são algumas emoções negativas envolvidas nos conflitos.   

É no cérebro que as emoções são disparadas, e nosso senso de autopreservação nos coloca em estado de alerta. Ao pressentirmos a “ameaça” do outro, prontamente nos colocamos em posição de combate e enfrentamento. Os artifícios usados em busca de neutralizar a ameaça percebida, são muitos; gritos, berros, choro, agressão física, agressão verbal, luta e fuga também, entre outros.

Saber administrar os conflitos e as emoções é um passo importante, uma vez que nem sempre conseguimos evitá-los. Mas sem nos darmos conta das causas, o que gerou o conflito, ele tende a se perpetuar e, ainda mais, é potencializado, o que irá gerar ressentimento, provocando assim uma seria de perturbações tanto na parte física quanto mental.

Dificilmente conseguimos administrar nossos conflitos sem ajuda externa. Contar com alguém especializado, ajuda bastante. Um terapeuta, um psicólogo, um filosofo clinico, um amigo, e quem sabe, a depender da gravidade, um psiquiatra, pois este irá lançar mãos de fármacos que irão nos devolver o equilíbrio perdido. 

Há, no entanto, formas cooperativas de lidar com os conflitos pessoais e as emoções, o perdão é uma dessas formas, condição "sine qua non", ou seja, sem a qual, dificilmente teremos sucesso em nossa empreitada, mas fica para a próxima postagem.

Boa Sorte!
Prof. Waldez Pantoja


A Responsabilidade Social



“A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos.” (Barão de Montesquieu).

Discurso e prática devem caminhar juntos. Todo o conjunto de valores que nós mesmos propagamos, devemos também demonstrá-los na prática diária.

Alardear os erros alheios quando eu mesmo os cometo nas mesmas proporções, soa muito estranho. Falta responsabilidade social!

A construção de uma sociedade mais justa depende de pequenas ações positivas, que, somadas se tornam grandes.

Quando propagamos mentiras, falsidade, estamos também em falta com a nossa responsabilidade social. A nossa credibilidade é emprestada através de nossos atos. Pessoas que acreditam em nós, também acreditam em nossos atos, naquilo que divulgamos como verdade.

Ética e moral são fundamentos balizadores para uma sociedade mais justa. Difamar, caluniar, macular a honra de alguém, nos torna tão pequenos, que sequer enxergamos a nossa própria imagem.

Prof. Waldez Pantoja