domingo, 3 de fevereiro de 2019

A Neuroplasticidade Transpessoal



O que será que acontece no cérebro quando duas ou mais pessoas interagem?

O termo Neuroplasticidade Transpessoal, pode ser encontrado no mais recente livro publicado pela editora Atheneu. Há um capítulo sobre o assunto. Cérebros Interativos e a Neuroplasticidade Transpessoal. Trata-se de um livro escrito pelo renomado neurocientista Roberto Lent. O Cérebro Aprendiz. Neuroplasticidade e Educação.

O Cérebro é um órgão fantástico, pois tem a capacidade de modificar a si mesmo, moldar-se, ajustar-se. Adaptação, mudança, modificação, cérebros que sofrem influência mútua quando há interação entre dois ou mais seres pensantes. Difícil imaginarmos que esta seja uma situação real, mas é.

Segundo Lent (2019), a professora modifica o aluno, mas também o aluno modifica a professora. Em especial dentro de um contexto de ensino-aprendizagem.

Na interação social, mecanismos neuro plásticos são ativados, permitindo assim, que alterações tanto morfológicas quanto funcionais sejam estabelecidas. As chamadas competências socioemocionais que envolvem os agentes, tanto podem gerar informação quanto absorvê-las.

A rede de emoção compartilhada é dinâmica. A todo instante dentro de um um sistema de interação, estamos influenciando e/ou sendo influenciados. A decodificação do estado emocional do outro, também orienta nosso comportamento, diz Lent.

O observador modifica a coisa observada. Esse é um princípio da física quântica que vem sendo estudado e elucidado. O ato de observar uma partícula altera seu estado. Quando pessoas sabem que estão sendo observadas, elas buscam adequar seu comportamento. Mudança!

Gazzaniga (1985) diz que, toda gente tem influência em toda a gente.

A cada interação social nosso sistema de crença vai sendo alterado, fortalecido ou enfraquecido. Conceitos, preconceitos, crenças surgem e também são dissipadas. E,  naturalmente este é um processo neuro plástico a partir da Neuroplasticidade Transpessoal. Além do próprio ser.

Aquilo que parece ser uma unidade consciente individual é, antes, o produto de uma vasta quantidade de sistemas mentais separados e relativamente independentes que processam incessantemente a informação proveniente tanto do meio humano interno como do externo. A mente humana é uma entidade sociológica. GAZZANIGA (1985).

Conclusão

A vasta rede social a qual pertencemos, é um sistema interativo de influência mútua. Grande parte do tempo até inconsciente. Uma simples conversa descontraída, um olhar, um sorriso, podem alterar não apenas nosso próprio comportamento, mas o comportamento do outro também.


sábado, 2 de fevereiro de 2019

MOTIVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO

Motivação e empreendedorismo caminham lado a lado. Difícil dissociar, isolar um do outro. Pode-se dizer que nenhum empreendedor irá alcançar grandes objetivos se não estiver motivado.

O termo motivação tem sua base no latim, (“movere”, mover). Tem a ver com o movimento em direção a um determinado objetivo, uma ação. Busca-se nessa ação uma recompensa. Um processo que envolve redes neurais complexas, elementos químicos, um estado mental positivo. A dopamina é um desses elementos químicos envolvidos na recompensa.

Motivação é um termo debatido desde eras remotas. Filósofos gregos criaram até uma palavra para a essa falta de força de vontade, chamada de AKRASIA (não ter comando sobre si mesmo). Talvez sem foco ou grandes objetivos.

Como se manter motivado?

Hamid e Joshua Berke, professores de psicologia e engenharia biomédica da Universidade de Michigan, argumentam que os níveis de dopamina sinalizam continuamente quão boa ou valiosa é a situação atual em relação à obtenção de uma recompensa. Concentrar-se na recompensa do seu empreendimento, os frutos que serão colhidos,  é uma técnica formidável que estimula os centros neurais envolvidos na motivação, dizem os pesquisadores.

Outro fator importante é aprender a adiar prazeres momentâneos e efêmeros em busca de algo maior e mais duradouro. Esse processo requer foco, disciplina e determinação, todos produtos da motivação. Assim fazem os alunos que tiram as melhores notas nos testes de seleção, por exemplo, o Enem. Troca-se um prazer momentâneo(as baladas noturnas), por algo muito maior e duradouro. Resultado positivo de muito esforço e dedicação. A recompensa.

A capacidade de retardar a satisfação momentânea e imediata em nome de benefícios futuros é uma habilidade cognitiva adquirível. Ou seja, pode ser treinada. Diz um dos maiores especialistas em motivação, Walter Mischel, também idealizador do famoso experimento chamado, o Teste do Marshmallow na década de 60 na Universidade Stanford. Crianças tinham que escolher ganhar um ou dois Marshmallows (guloseimas), bastando para isso, esperar alguns minutos até que o pesquisador retornasse à sala de teste. Para algumas crianças a satisfação momentânea os obrigava a comer quase que imediatamente um único doce. Mas, para outras, adiar a satisfação momentânea, rendia-lhes maior benefício. Dois deliciosos Marshmallows como gratificação pela espera.

Necessidades e Recompensa

Em outro experimento, os cães do fisiologista russo Ivan Pavlov, ouvindo a campainha antes da ração ser servida, eles salivavam, isso porque sabiam que uma recompensa estava a caminho. Motivação em curso. O centro dopaminérgico ativado no cérebro. Um processo de “Feed back”.

Quando um indivíduo satisfaz uma necessidade (recebe sua recompensa), logo surge outra, a eterna busca de realizações. Maslow traçou um perfil da hierarquia das necessidades humanas.

Como hierarquia das necessidades humanas, entende-se serem elas:

Fisiológicas - fome, sede, aquecimento, ar, sono.

Segurança - proteção e ausência de ameaças.

Pertencimento - aceitação e amizade.

Estima - as realizações, boa opinião sobre si mesmo, reputação.

Realização pessoal - Realizar sonhos e aspirações pessoais, viver em seu pleno potencial.

A recompensa pelo esforço próprio pode ser muito prazerosa, gerando tanto benefícios para a comunidade como enorme satisfação para o idealizador. Este é o caso aplicado aos empreendedores, que via de regra, podem gerar grandes benefícios à comunidade a partir de seus empreendimentos.

Maslow acreditava que a realização pessoal, esse estado que ocorre quando alguém realiza seus sonhos e aspirações, permite que a pessoa viva em plenitude, extraindo seu potencial máximo de realizações

Conclusão

Pode-se concluir que a motivação é o que nos faz levantar todos os dias em busca de alguma realização. Cabe aqui uma ressalva; “um desorientado motivado pode representar um grande risco, tanto para si mesmo quanto para os demais”. Exige-se preparo nesse processo motivacional dentro do empreendedorismo.