Você já foi sequestrado alguma vez?
O sequestro quando ocorre deixa rastros, uma situação lastimável que
irá perdurar por muito tempo. Isso porque, não temos domínio sobre a
situação e ficamos a mercê do sequestrador, nosso algoz, e, a cada vez
que a memória é reconstruída, junto vem a carga emocional negativa.
Confusos, expostos, no escuro e sem visão, nos sentimos desordenados,
perdemos inclusive a noção do tempo que passa, mas a percepção é como se
fosse uma eternidade. Um ato traumático que sequer queremos recordar,
preferimos esquece-lo.
O sequestro ao qual me refiro não é
aquele em que um bandido nos aborda e, em seguida faz contato com a
nossa família em busca de uma recompensa. Esse não é tão frequente se
comparado com o sequestro que nos torna reféns quase todos os dias.
Trata-se de um sequestro que tem como vilão principal a emoção. É muito
mais frequente do que possamos imaginar. Tornamo-nos reféns e ficamos
entregues a própria sorte.
O cárcere das emoções não poupa ricos,
pobres, inteligentes, famosos, não importa, sem domínio de nossas
emoções, é muito fácil sermos apanhados de surpresa e sequestrados.
Segundo o neurocientista Antônio Damásio, a emoção é um conjunto
complexo de reações químicas e neurais, formando um padrão. Podendo ser
consciente ou mesmo inconsciente. Freud dizia que na maioria das vezes
as emoções são inconscientes.
Todo o processo que dispara uma emoção é biologicamente determinado, dependente de mecanismos cerebrais estabelecidos e inatos. Ou seja, já nascemos com toda essa arquitetura programada para disparar assim que um sinal de perigo for detectado. O teatro onde a peça se desenrolar é o próprio corpo.
Emoção não é mesma coisa que sentimento. Enquanto a emoção pode ser publica ou privada, o sentimento é uma experiência mental privada. O que as pessoas detectam em nós, são as nossas emoções, mas os sentimentos, somente nós mesmos temos acesso. A não ser que os descrevamos para outros, mas ainda assim, não terá a mesma fidelidade na transdução.
Todo o processo que dispara uma emoção é biologicamente determinado, dependente de mecanismos cerebrais estabelecidos e inatos. Ou seja, já nascemos com toda essa arquitetura programada para disparar assim que um sinal de perigo for detectado. O teatro onde a peça se desenrolar é o próprio corpo.
Emoção não é mesma coisa que sentimento. Enquanto a emoção pode ser publica ou privada, o sentimento é uma experiência mental privada. O que as pessoas detectam em nós, são as nossas emoções, mas os sentimentos, somente nós mesmos temos acesso. A não ser que os descrevamos para outros, mas ainda assim, não terá a mesma fidelidade na transdução.
As emoções primárias
são: alegria, tristeza, medo, raiva, surpresa ou ainda a repugnância. A
partir destas emoções, centenas de outras são manifestadas, elas são
chamadas pelos teóricos de emoções secundárias.
Uma emoção pode ser
disparada por uma música, uma atitude percebida, uma lembrança, uma cena
observada, entre outros. Se for uma emoção positiva, certamente iremos
nos agradar, mas sendo uma emoção negativa, varias perturbações são
desencadeadas, muitas deles nem são percebidas. De repente nos damos
conta de que acabamos de mal tratar um amigo, um parente, um
desconhecido, e somente após algum tempo, é que nos perguntamos: por que
eu tomei aquela atitude tão grosseira? A resposta está em uma complexa
rede neural, e, sem que tenhamos a consciência, essa estrutura se
antecipa e dispara a emoção que pode concretizar uma ação em sequência. A
amígdala cortical.
A amígdala cortical não é a única a fazer
parte da complexa rede neural envolvida com a emoção. O sistema límbico e
diversas estruturas têm cada uma sua cota de participação quanto o
assunto é emoção. Mas a amígdala cortical é especialista nas questões
emocionais.
Segundo o psicólogo Joseph LeDoux, o primeiro
pesquisador a desvendar o importante papel da amígdala no cérebro
emocional, ele nos diz: “a vida sem amígdala não tem o menor significado
do ponto de vista emocional”. Animais que têm a amígdala cortical
cirurgicamente removida, não sentem medo, não tem raiva. Em seres
humanos nem lágrimas são possíveis para expressarmos nosso sofrimento
sem a amígdala.
A emoção é um fantástico mecanismo que nos avisa e
nos livra dos perigos. Um barulho percebido por nossos ancestrais em
uma mata poderia livrá-los de um predador. Mas também pode nos colocar
em risco quando não bem administrada. Na vida hodierna, frente a um
assalto, a reação seria algo bem natural, mas de altíssimo risco.
Mesmo não tendo o total controle sobre nossas emoções, isso não
significa dizer que não tenhamos o controle de nossas ações. Uma vez
disparada a emoção, é possível sim, controlar nossos atos seguintes frente ao
perigo real ou imaginado, criado pelo cérebro. Vale ressaltar, que esse
controle só é possível através de um treinamento continuo e que deve ser
aprimorado a cada dia. Podemos sentir a emoção, mas decidimos agir ou
não frente ao perigo ou a ameaça percebida.
